As famílias brasileiras estão destinando, em média, 29,3% da renda ao pagamento de dívidas, de acordo com dados do Banco Central. Ao mesmo tempo, um indicador recente da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que o desconforto com o crédito atingiu o maior patamar dos últimos 12 anos, evidenciando o avanço do superendividamento no país.
O aumento da parcela da renda comprometida com empréstimos e financiamentos revela uma pressão cada vez maior sobre o orçamento doméstico. Com juros elevados e crédito mais caro, muitas famílias têm enfrentado dificuldades para manter o equilíbrio financeiro e sustentar o consumo.
Na prática, esse cenário reduz a margem para despesas essenciais e imprevistos, o que pode levar ao atraso de contas e ao crescimento da inadimplência.
Para acompanhar essa realidade, a FGV desenvolveu o Indicador de Desconforto de Crédito (IDC), que considera três aspectos principais: o nível de renda comprometida com dívidas, a taxa de inadimplência e a qualidade do crédito disponível no mercado.
O índice varia de 0 a 1, sendo que valores mais próximos de 1 indicam maior dificuldade. Atualmente, o IDC chegou a 0,94, o nível mais alto desde o início da série histórica, em 2014.
Especialistas apontam que o encarecimento do crédito está relacionado à oferta de empréstimos com juros elevados e condições mais rígidas, especialmente no momento da renegociação das dívidas. Esse contexto contribui para a manutenção do ciclo de endividamento.
A percepção entre consumidores também é de maior dificuldade para acessar crédito em condições favoráveis, o que agrava ainda mais a situação financeira de quem já está endividado e busca alternativas para reorganizar o orçamento.








