TCE confirma irregularidades e escancara uso de diárias em Pau D’Arco

Uma decisão do Tribunal de Contas do Estado do Piauí jogou luz sobre uma prática que, ao longo dos últimos meses, vinha sendo apontada como suspeita: o uso irregular de diárias dentro da Prefeitura de Pau D’Arco. O que começou como denúncia acabou confirmado — e com desdobramentos que ainda podem ampliar o alcance do caso.

O TCE reconheceu a procedência da denúncia e concluiu que houve pagamento de diárias acima dos limites estabelecidos pela lei municipal. Na prática, isso significa que recursos públicos foram liberados em desacordo com a legislação, ferindo diretamente o princípio da legalidade e revelando falhas no controle interno da gestão.

Como consequência, o prefeito Milton Passos (PT) foi multado em 2.000 UFR/PI, justamente por ser o responsável final pela administração e pela fiscalização desses gastos. A então secretária de Finanças, Tatianny Araújo Passos (filha do Prefeito), também recebeu penalidade de 2.000 UFR/PI. Já outros nomes citados no processo, embora apareçam no contexto das irregularidades, não foram multados neste momento — caso de secretários como Maria Assunção Araújo Passos (Assistência Social), Vicente de Paulo Lima (Saúde) e Wilra Milena de Oliveira Alves (Educação).

Mesmo assim, o caso está longe de terminar. O próprio Tribunal determinou a abertura de uma nova investigação para apurar fatos que surgiram depois da fase inicial do processo, o que indica que ainda há pontos sem resposta e possíveis irregularidades não totalmente esclarecidas.

A “farra das diárias” entre parentes e aliados

Um dos aspectos que mais chama atenção no caso é o perfil dos beneficiados. A investigação aponta que uma parte significativa dos valores pagos acima do permitido foi destinada a pessoas diretamente ligadas ao núcleo familiar e político do prefeito.

Os dados levantados mostram que o próprio gestor teria recebido cerca de R$ 10,5 mil em diárias, ultrapassando o limite legal de R$ 5,5 mil. A diferença, de aproximadamente R$ 5 mil, é tratada como vantagem indevida.
A situação se repete dentro do núcleo familiar. A secretária de Assistência Social, Maria Assunção Araújo Passos — esposa do prefeito — teria recebido cerca de R$ 3 mil, quando o teto seria de R$ 900.

Já a secretária de Finanças, Tatianny Araújo Passos (filha do Prefeito), aparece com valores excedentes que chegam a cerca de R$ 4,2 mil. Outro nome ligado à família, Taianny Araújo Passos (filha do Prefeito), também teria recebido valores acima do permitido, com excedente estimado em R$ 1,4 mil. A lista inclui ainda Lucas Feitosa Lira, apontado como enteado de Tatianny, com cerca de R$ 2,1 mil em pagamentos irregulares.

Além do círculo familiar, outros secretários também aparecem com valores acima do teto legal, como Vicente de Paulo Lima (Saúde), com cerca de R$ 4,2 mil, e Wilra Milena de Oliveira Alves (Educação), com aproximadamente R$ 3,4 mil. Somados, os valores considerados irregulares chegam a cerca de R$ 22,4 mil — um montante que, embora abaixo do limite para abertura de uma tomada de contas especial, foi suficiente para caracterizar má gestão dos recursos públicos.

O caso ainda não acabou

A decisão do Tribunal de Contas resolve uma parte do problema, mas abre outra frente ainda mais delicada. A nova investigação autorizada pode aprofundar o que já foi descoberto e alcançar outros episódios que não entraram na análise inicial.

Com isso, o caso de Pau D’Arco deixa de ser apenas uma irregularidade pontual e passa a ser um exemplo de como falhas de controle interno podem abrir espaço para práticas que comprometem a gestão pública. Agora, com os fatos confirmados e novas apurações em andamento, a tendência é que o caso continue avançando — e que as responsabilidades, eventualmente, se ampliem.

Foto: Reprodução/TCE-PI

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