O presidente Donald Trump afirmou nesta terça-feira que países que não apoiaram os Estados Unidos na guerra contra o Irã deveriam comprar petróleo americano ou buscar o recurso por conta própria no estreito de Hormuz.
O republicano citou aliados como Reino Unido e França, ambos integrantes da OTAN, acusando-os de pouca colaboração no conflito, que já ultrapassa um mês.
O estreito de Estreito de Hormuz — responsável pelo escoamento de cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo — está praticamente fechado desde o início da guerra, provocando forte alta no preço do barril. Diante disso, Teerã avalia cobrar uma espécie de pedágio para navios que utilizarem a rota, mantendo ainda a proibição para embarcações dos Estados Unidos e de Israel.
“Todos esses países que não conseguem obter combustível de aviação por causa do estreito de Hormuz, como o Reino Unido, que se recusou a se envolver na ‘decapitação’ do Irã, tenho uma sugestão: primeiro, comprem dos EUA — nós temos de sobra. Segundo, criem um pouco de coragem tardia, vão até o estreito e simplesmente peguem”, escreveu Trump em publicação na Truth Social.
“Vocês vão ter que aprender a lutar por si mesmos. Os EUA não estarão mais lá para ajudá-los, assim como vocês não estiveram lá por nós. A parte difícil já foi feita. Vão buscar o próprio petróleo”, acrescentou.
Em outra publicação, Trump criticou a França por não autorizar o sobrevoo de aeronaves com destino a Israel, que transportavam suprimentos militares. “A França tem sido MUITO INÚTIL”, escreveu, em letras maiúsculas. “Os EUA vão SE LEMBRAR”, completou.
Aliados desde a Segunda Guerra Mundial, Estados Unidos e Reino Unido mantêm longa cooperação nas áreas de defesa e inteligência. Desde o início do conflito, porém, Trump tem demonstrado insatisfação com o apoio do primeiro-ministro britânico Keir Starmer.
Inicialmente, o governo britânico vetou o uso de bases aéreas para possíveis ataques ao Irã, o que gerou críticas públicas do presidente americano. Posteriormente, Starmer recuou e afirmou que permitiria o uso das instalações para ações classificadas como “defensivas”.
O premiê busca equilibrar sua posição diante do partido e da opinião pública, que costuma ver com cautela o envolvimento em conflitos no Oriente Médio, especialmente após o apoio irrestrito de Tony Blair à invasão do Iraque liderada pelos EUA em 2003.
O tom mais duro de Trump contra aliados ocorre um dia após o governo da Espanha anunciar que não permitirá o uso de seu espaço aéreo por aviões militares americanos envolvidos na guerra.
A decisão vem semanas após o primeiro-ministro Pedro Sánchez negar aos Estados Unidos o uso das bases de Rota e Morón para operações contra Teerã. Após a recusa, Trump determinou que sua equipe avaliasse possíveis cortes nas relações comerciais com o país europeu.








