Quem nunca tomou medicamentos sem prescrição médica? Essa prática, apesar de ser corriqueira no Brasil, é perigosa e um problema de saúde pública, especialmente quando os medicamentos são antibióticos. Durante o período chuvoso, há um aumento no número de pessoas com gripes e resfriados e cresce também o uso sem prescrição médica desses fármacos.
Especialistas alertam que a automedicação com esse tipo de medicamento pode ter consequências sérias e, em alguns casos, fatais. De acordo com o médico infectologista Nayro Ferreira, a utilização de antibióticos sem orientação profissional representa um grande risco à saúde.
“É um risco-benefício que não vale a pena. Todo medicamento tem efeito colateral e tem efeito adverso. O uso indiscriminado de antimicrobianos é a principal causa do aparecimento de bactérias multiresistentes. Você usa um antibiótico que não é adequado, uma dose que não é adequada para uma infecção causada por uma bactéria que é aquele antibiótico que não vai cobrir. Essa bactéria tende a ficar superpotente.”, destaca.

Automedicação pode colocar a vida em risco
Segundo o especialista, um dos principais perigos está no uso inadequado do tipo de antibiótico ou da dosagem incorreta, o que pode agravar o quadro clínico do paciente. Casos envolvendo medicamentos como amoxicilina e outras penicilinas, como a benzetacil, são frequentemente citados como exemplos de reações adversas graves, especialmente quando administrados sem avaliação médica prévia.
“Existem pessoas alérgicas a alguns antibióticos que, ao tomar, desenvolvem reações anafiláticas severas, podendo levar até a morte. O aparecimento de infecções hospitalares, infecções comunitárias por germes multiresistentes é muito comum. Uma causa muito comum de efeito adverso grave é o uso indiscriminado de antibióticos como a amoxicilina e outras penicilinas como a benzetacil. Tem pessoas que têm uma reação alérgica muito forte que pode levar ao óbito a partir do momento em que toma a injeção de penicilina, que é a benzetacil.”, alerta Nayro Ferreira.
A principal recomendação dos especialistas é evitar a automedicação e buscar sempre orientação profissional antes de iniciar qualquer tratamento.
“Sempre fazer o uso de qualquer medicamento com orientação de um profissional médico ou um profissional farmacêutico habilitado”, reforça Nayro Ferreira.
O que pode aparentar como um cuidado excessivo é na verdade uma medida essencial para evitar infecções cada vez mais difíceis de tratar, por isso é importante que a população se conscientize sobre o uso indiscriminado de medicações e busque sempre a orientação profissional.








