O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou, nesta terça-feira (14/4), as medidas discutidas pelo Governo do Brasil para melhorar as condições de trabalho dos motoristas de aplicativos no país, durante entrevista concedida aos jornalistas Leonardo Attuch (Brasil 247), Kiko Nogueira (DCM) e Renato Rovai (Revista Fórum).
Lula destacou que o governo trabalha em um Projeto de Lei que tenha a aprovação da categoria, pois isso trará mais proteção à classe. “A gente não tem que fazer nada de forma atabalhoada. O que nós precisamos é trabalhar com muito afinco, ouvir o máximo de gente que a gente puder ouvir, para que seja um Projeto de Lei acordado por todos eles”, disse.
Na entrevista, o presidente ressaltou que as discussões incluem motoristas de aplicativos que trabalham com motos. “Nós estamos discutindo agora a questão dos motoqueiros, a questão dos meninos que trabalham com entrega de alimentos. É uma coisa muito nova. Não tem uma coisa uniforme entre eles. É um mundo muito diferente”, pontuou Lula.
“Primeiro, eles têm que ganhar um pouco mais, porque as plataformas ganham muito e eles ganham pouco. Segundo, a gente tem que garantir um lugar para eles fazerem as necessidades deles, para eles tomarem um banho, para eles trocarem de roupa, para carregar o celular. Eu estou há um ano tentando financiar moto. Tentei trazer moto da China para vender mais barato. Ainda estamos pesquisando isso, para ver se a gente consegue ajudar para ele poder ganhar um pouco mais”, revelou o presidente.
Lula enfatizou que é importante que os profissionais que trabalham com aplicativos pensem no futuro e em imprevistos e que isso está diretamente ligado à seguridade social. “É importante a gente garantir que ele tem um pouco de seguridade social. É importante a gente convencê-lo de que se ele pagar, e pode ser pago pela própria plataforma, se ele tiver uma segurança social, se houver um acidente na moto, na bicicleta, no Uber, ele vai ter um amparo do Estado para ele se cuidar. O que ele não pode é ficar abandonado”, explicou.
O presidente também voltou a defender o fim da escala 6 x 1. “A gente está há quase 60 anos trabalhando oito horas por dia. Não é possível que com o avanço tecnológico que houve no mundo a gente não possa diminuir a jornada para deixar um tempo mais livre para estudar, para o lazer, para cuidar da família. O mundo está exigindo isso”, defendeu Lula.
Para o presidente, é preciso que a sociedade se engaje mais nessa discussão, pois os frutos serão colhidos pelos trabalhadores e, principalmente, pelos mais jovens. “Essa molecada tem que aproveitar essa energia deles e pedir para que a gente faça as coisas acontecerem. Faça pressão em cima do governo, faça pressão em cima do Congresso Nacional. Nós não estamos governando para nós. Nós temos que governar para eles. E se eles demonstrarem essa disposição, não há por que a gente não dar a eles a jornada que eles precisam e os direitos que são necessários”, concluiu Lula.
Fonte: Agência Gov








