STF condena por unanimidade envolvidos no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes

O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou por unanimidade os cinco réus acusados de participação no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, crime cometido em 14 de março de 2018 no Rio de Janeiro. A decisão foi tomada pela Primeira Turma do STF, com todos os ministros acompanhando o voto do relator, ministro Alexandre de Moraes.

Entre os condenados estão o ex-deputado federal Chiquinho Brazão e seu irmão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, Domingos Brazão, apontados como os mandantes do crime; o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa; o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula; e o ex-policial militar Robson Calixto. Todos estavam presos preventivamente durante o andamento do processo.

Segundo a acusação, os irmãos Brazão teriam ordenado a execução da vereadora e do motorista como parte de um esquema criminoso de motivação política e interesses ligados a grupos paramilitares e corrupção, posição respaldada pelas provas apresentadas durante o julgamento.

Entre os réus, apenas Rivaldo Barbosa teve sua participação no duplo homicídio excluída, sendo condenado por obstrução de justiça e corrupção passiva, em vez de homicídio. Os demais foram responsabilizados por envolvimento direto no assassinato de Marielle e de Anderson, além de tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves, que sobreviveu ao ataque.

Veja as penas fixadas e os crimes atribuídos a cada um dos condenados:

  • Domingos Inácio Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do RJ: duplo homicídio, homicídio tentado e organização criminosa armada — pena de 76 anos e 3 meses de prisão.
  • João Francisco Inácio Brazão, deputado cassado: duplo homicídio, homicídio tentado e organização criminosa armada — pena de 76 anos e 3 meses de prisão.
  • Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do RJ: obstrução à justiça corrupção passiva — pena de 18 anos de prisão.
  • Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar: duplo homicídio e homicídio tentado — pena de 56 anos de prisão.
  • Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão: organização criminosa — pena de 9 anos de prisão.

Perda de cargos e pagamento de indenização

Os ministros decidiram por R$ 7 milhões em indenizações e reparação de danos, sendo:

  • R$ 1 milhão em favor da ex-assessora de Marielle e sobrevivente do atentado, Fernanda Chaves, e da filha dela;
  • R$ 3 milhões em favor a Marielle (750 mil ao pai, 750 mil à mãe, 750 mil à filha, 750 mil à viúva);
  • R$ 3 milhões em favor da família de Anderson.

Também foi determinada a perda de função pública de Domingos Brazão, Rivaldo Barbosa, Ronald Pereira e Robson Calixto. Todos ficam inelegíveis.

O caso, que teve grande repercussão nacional e internacional, encerra um longo e complexo processo que durou mais de oito anos desde a execução da vereadora, reconhecida por seu trabalho em defesa dos direitos humanos, comunidades negras e LGBTQIAP+.

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