O uso inadequado de mochilas escolares pode trazer consequências sérias para a saúde de crianças e adolescentes. O excesso de peso, o modelo incorreto e a forma como a mochila é utilizada estão entre os principais fatores que contribuem para dores nas costas, ombros e até problemas posturais que podem se estender até a vida adulta.
De acordo com especialistas em ortopedia, o peso da mochila deve ser sempre controlado. A recomendação é que ela não ultrapasse 10% do peso corporal da criança.
“Esse é um dos principais cuidados. Quando o peso passa desse limite, a coluna sofre uma sobrecarga que pode gerar dores e desconfortos, principalmente em crianças que ainda estão em fase de crescimento”, explica o médico ortopedista, Aciomar Veras.
Além do peso, o tamanho da mochila e a forma como ela é usada também são fatores decisivos. O ideal é que a mochila fique ajustada ao corpo e não ultrapasse a região da lombar, evitando que fique muito baixa, próxima às nádegas.
“Quando a mochila fica muito baixa, o corpo precisa compensar o peso, puxando a coluna para trás. Isso gera um esforço excessivo e pode causar dores frequentes”, alerta o especialista.

Alças, formato e organização fazem diferença
Outro ponto importante é o tipo de alça. Mochilas com alças finas concentram o peso nos ombros, aumentando o risco de dor e inflamação.
O formato da mochila também influencia. Modelos com a parte posterior anatômica, que se adaptam às curvas da coluna, são os mais indicados. Já mochilas muito rígidas ou retas podem causar desconforto.
A organização interna também merece atenção. Mochilas com divisórias ajudam a distribuir melhor o peso.
Sinais de alerta
Pais e responsáveis devem ficar atentos a alguns sinais que indicam que a mochila pode estar causando problemas:
- dor frequente nos ombros;
- dor lombar ao chegar ou sair da escola;
- queixas constantes de desconforto;
- melhora da dor ao longo do dia, quando a criança deixa de usar a mochila.
“Criança não deve sentir dor. Se ela reclama todos os dias, principalmente após ir ou voltar da escola, é um sinal claro de alerta”, afirma o médico.
O especialista também esclarece que a mochila não causa escoliose, mas pode agravar quadros já existentes.
“Se a criança já tem alguma alteração na coluna, mesmo leve, o peso excessivo pode intensificar as dores e piorar o quadro”, explica.
Mochilas de rodinha e cuidados no ambiente escolar
As mochilas de rodinha podem ser uma alternativa, desde que usadas corretamente. O ideal é que sejam puxadas próximas ao corpo, e não arrastadas para trás.
“Quando a criança puxa a mochila muito atrás, força a coluna e os ombros. O correto é mantê-la ao lado do corpo”, orienta.
O médico também destaca a importância da estrutura escolar, como a presença de rampas e a adoção de armários para guardar parte do material didático.
“Algumas escolas já utilizam armários individuais, o que reduz bastante o peso que a criança precisa carregar diariamente. É uma medida simples e muito eficaz”, afirma.
A mochila precisa ser uma aliada da rotina escolar, não um fator de dor ou limitação, e através de cuidados simples e mudança de hábito, isso é possível.








