Adolescentes de Teresina passaram a ocupar, de forma direta e ativa, espaços de diálogo e decisão sobre políticas públicas voltadas à infância e à juventude, com a posse de seis adolescentes, que assumirão o Comitê de Participação do Adolescente (CPAT provisório). A solenidade aconteceu na manhã desta sexta-feira (6).
A solenidade ocorreu no auditório da Ação Social Arquidiocesana de Teresina e reuniu adolescentes de diferentes territórios, representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCAT), profissionais da rede de proteção, educadores sociais e entidades da sociedade civil. O comitê cria um canal permanente para que adolescentes deixem de ser apenas beneficiários das políticas públicas e passem a atuar como sujeitos ativos na construção, acompanhamento e avaliação das ações que os afetam diretamente.
A vivência desse protagonismo foi relatada pelos próprios adolescentes que agora integram o comitê. A jovem Elaine Caroline Brás destacou que ocupar esse espaço representa não apenas uma conquista pessoal, mas também a possibilidade de representar outros adolescentes que não conseguem chegar a esses espaços institucionais.
“Eu acho que muitas crianças e adolescentes gostariam de estar no meu lugar. Eu me sinto feliz por participar, por ser incluída e por ter minha voz escutada. Os movimentos sociais, como o Centro de Convivência de Novos Meninos e Meninas, me deram essa oportunidade de ter voz pública e ser realmente ouvida”, declarou.

A iniciativa marca um avanço na consolidação do protagonismo juvenil no município e integra a agenda institucional da secretária nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), Pilar Lacerda.
Durante o evento, representantes da rede de proteção explicaram que a criação do CPAT é resultado de um processo construído de forma coletiva, baseado na escuta e no cuidado. Segundo o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Djan Moreira, o comitê surge a partir de diálogos contínuos entre adolescentes, técnicos e instituições que atuam na defesa dos direitos da infância e juventude.
“Esse é um processo feito com muito cuidado, onde adolescentes, crianças, assistentes e pessoas comprometidas com essa causa se juntam por um objetivo comum: a qualidade de vida e a proteção das nossas crianças e adolescentes. É um trabalho que nasce do diálogo, da análise, da pesquisa e do estudo, para que tudo dê certo e possa se expandir cada vez mais”, destacou
A agenda contou também com a presença da secretária nacional Pilar Lacerda, que reforçou a importância da escuta ativa dos adolescentes na formulação das políticas públicas. Em sua fala, ela ressaltou que a participação juvenil precisa ser prática constante e não apenas simbólica.
“Durante muito tempo, as políticas foram feitas para crianças e adolescentes, mas sem ouvi-los. O princípio ‘nada sobre nós sem nós’ precisa orientar a atuação do poder público. Quando os adolescentes assumem esse espaço, eles deixam de ser apenas destinatários da lei e passam a exercer, de fato, o protagonismo juvenil”, afirmou.

A nova participante do comitê, Elaine, ressaltou que o processo de escuta é fundamental para o desenvolvimento pessoal e coletivo, especialmente na transição da infância para a adolescência.
“Eu diria para que outros jovens se esforcem, estudem e não deixem de lado a própria opinião. Mesmo que ela ainda não esteja totalmente desenvolvida, é importante expor o que se pensa e o que se sente. É nesse processo que acontece o desenvolvimento e a formação crítica”, afirmou a adolescente.
Além da posse do comitê, a programação incluiu a palestra “Os desafios dos direitos da criança e do adolescente”, ministrada pela secretária nacional, e visitas a equipamentos da rede de proteção, como o Centro de Convivência Novos Meninos da ASA e a Casa Maria Menina, da Rede Saviniana. No turno da tarde, Pilar Lacerda participou ainda da 4ª Reunião Extraordinária de 2026 do CMDCAT, reforçando o compromisso com políticas públicas construídas com a participação direta dos adolescentes.








