Hytalo Santos e marido são condenados por exploração sexual

A Justiça da Paraíba condenou o influenciador Hytalo Santos e Israel Vicente, conhecido como Euro, por aliciamento de menores. Os dois estão presos preventivamente desde agosto do ano passado. A informação foi confirmada pelo advogado do casal, Sean Kompier Abib.

A condenação foi proferida no sábado (21). “A respeito da condenação que foi disponibilizada neste final de semana, é de fato procedente essa história”, declarou o advogado nas redes sociais.

Até o momento, o Tribunal de Justiça da Paraíba não informou o tempo de pena aplicado a cada um dos condenados. A defesa afirmou que irá recorrer da decisão.

Em nota, o advogado alegou que a sentença foi influenciada por preconceito. “A decisão representa a vitória do preconceito contra um jovem nordestino, negro e homossexual, além de expressar estigmatização contra o universo cultural do brega funk”, afirmou.

A defesa sustenta ainda que a Justiça não considerou provas e depoimentos que, segundo ele, afastariam as acusações. O habeas corpus dos condenados deve ser julgado conforme previsto anteriormente. Na semana passada, o desembargador João Benedito chegou a recomendar a soltura com medidas cautelares, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista do desembargador Ricardo Vital de Almeida.

Relembre o caso

O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação de um vídeo do youtuber Felca, que apontou suposta adultização de adolescentes em conteúdos publicados nas redes sociais.

Em agosto de 2025, mandados de busca e apreensão foram cumpridos na residência do casal em João Pessoa. Como Hytalo não foi localizado e houve apreensão de equipamentos, a Justiça decretou a prisão preventiva por risco de obstrução das investigações.

Os dois foram presos no dia 15 de agosto em uma casa alugada em Carapicuíba (SP). No local, oito pessoas estavam presentes, mas nenhum menor de idade foi encontrado. Foram apreendidos celulares e um veículo.

Acusações do Ministério Público

De acordo com o Ministério Público da Paraíba, Hytalo e Israel teriam aliciado crianças e adolescentes de famílias em situação de vulnerabilidade social em Cajazeiras (PB), levando-os para morar em João Pessoa.

A denúncia aponta “múltiplas formas de exploração sexual” e afirma que os jovens, chamados de “crias”, eram expostos em redes sociais com conteúdos considerados inadequados para a idade. O MP também sustenta que as vítimas eram submetidas a ambientes “moralmente tóxicos”, procedimentos estéticos e rotina exaustiva de gravações.

Testemunhas relataram ainda suposto cárcere privado e condições análogas à escravidão, com restrição de contato com familiares e controle rígido da rotina. A denúncia também afirma que os adolescentes não tinham autonomia sobre suas identidades de gênero e orientações sexuais.

O Ministério Público do Trabalho da Paraíba pede indenização por dano moral coletivo de R$ 12 milhões, além de reparações individuais que variam de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões para cada vítima.

O caso tramita em segredo de Justiça, para preservar as vítimas e evitar a revitimização.

Como denunciar

Casos de violência contra crianças e adolescentes podem ser denunciados pelo Disque 100, de forma anônima, na delegacia mais próxima ou no Conselho Tutelar do município. Em situações de flagrante, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.

A omissão diante de situações de violência pode configurar crime, conforme prevê o Código Penal e a Lei Henry Borel.

*Via Folhaexpress

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