Coletor se fere com seringa descartada em lixo em Teresina

Um funcionário do serviço de coleta urbana de Teresina sofreu uma perfuração no dedo após manusear uma seringa descartada de forma irregular, na noite da última segunda-feira (2), no bairro Cidade Nova, Zona Sul da capital.

A informação foi confirmada pela Empresa Teresinense de Desenvolvimento Urbano (Eturb). Segundo o órgão, o trabalhador foi socorrido imediatamente e encaminhado ao Hospital de Doenças Tropicais Natan Portela, onde iniciou o protocolo médico obrigatório para casos de ferimentos causados por objetos perfurocortantes de origem desconhecida.

Sobre os riscos desse tipo de acidente, o infectologista Dr. Nayro Ferreira alerta que a exposição a materiais perfurocortantes pode causar sérios danos à saúde. Segundo ele, o índice de acidentes é elevado quando não há o cumprimento rigoroso das normas de descarte, especialmente em ambientes com grande volume de procedimentos.

“Se o profissional não segue as regras à risca, o índice de acidente com perfurocortante é muito grande. Os riscos são vários, desde infecções de pele até a contaminação por vírus, como hepatite B, HIV e hepatite C”, explica.

O médico também destaca que o descarte inadequado no lixo doméstico representa um perigo ainda maior para os trabalhadores da limpeza urbana, já que esse tipo de coleta não conta com os mesmos equipamentos utilizados no ambiente hospitalar.

“A coleta hospitalar tem uso de EPIs específicos, luvas mais grossas, máscara N95 e roupas apropriadas. Já o lixo doméstico é comum, não tem essa rigorosidade. Quando o material perfurocortante é descartado de forma errada, o risco de acidente aumenta muito”, alerta

Descarte inadequado coloca trabalhadores em risco

O caso reacende o alerta sobre a importância do descarte correto de resíduos, especialmente os perfurocortantes. Para o tecnólogo em Gestão Ambiental Renan C. B. Araújo, o problema vai além do cuidado individual e envolve responsabilidade coletiva.

Segundo o especialista, a própria legislação ambiental brasileira prevê essas premissas e reforça que o descarte correto não protege apenas a natureza, mas também as pessoas.

“Descartando corretamente o resíduo, você não só ajuda a conservar o meio ambiente, como também otimiza o ciclo de vida desses materiais. Muitos resíduos podem ser reaproveitados e, depois, reciclados, sendo transformados em novos produtos ou matéria-prima”, destaca.

Renan Araújo avalia que o Brasil ainda enfrenta dificuldades estruturais e culturais na gestão de resíduos sólidos. No caso específico de resíduos cortantes, como seringas, vidros e cerâmicas, o tecnólogo alerta que qualquer falha na cadeia de descarte pode gerar danos ambientais e, principalmente, acidentes de trabalho.

“Infelizmente, a questão dos resíduos no Brasil ainda é precária. A gente ainda luta para encerrar lixões, algo que a legislação já determinava que deveria ter acabado. Isso é uma falha cultural da sociedade, mas também do poder público. É um trabalho conjunto. Se houver falha desde o acondicionamento até a destinação final, o dano não é só ambiental. Ele pode ser direto à saúde do colaborador que vai ter contato com aquele resíduo”, ressalta.

Como descartar corretamente materiais cortantes

Em um vídeo gravado por colegas que acompanhavam o servidor no momento do acidente, os trabalhadores fazem um apelo à população para que haja mais responsabilidade no descarte desse tipo de material.

Um dos coletores orienta que seringas e outros objetos perfurocortantes sejam colocados dentro de garrafas plásticas com tampa, reduzindo o risco de ferimentos durante o manuseio dos sacos de lixo.

O ecnólogo em Gestão Ambiental Renan C. B. Araújo também orienta que é necessário que haja a identificação de que há no lixo materiais que possam causar acidentes para os trabalhadores, para que seja realizado o manejo correto.

“Essa embalagem precisa estar sinalizada, para que quem for fazer o manejo saiba o que tem ali dentro e evite qualquer risco de acidente”, completa.

Para pessoas com doenças crônicas, como diabetes, que utilizam seringas em casa, Renan reforça a necessidade de destinação adequada.

“Essas seringas podem ser acumuladas dentro de uma garrafa PET e depois levadas a uma UBS, posto de saúde ou farmácia. Quando o serviço é feito por um prestador de saúde, a responsabilidade pelo gerenciamento do resíduo é da empresa”, explica.

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