Carbono Oculto 86: Investigados são denunciados pelo MPPI

Doze dos investigados durante a Operação Carbono Oculto 86 foram denunciados pelo Ministério Público do Piauí. A Operção investiga um esquema de fraudes em postos de combustíveis do Piauí e de outros estados ligados às empresas HD e Diamante.

Segundo o MP, os investigados teriam cometido os crimes de adulteração de combustíveis, fraude no abastecimento, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, em um esquema que vinha em atuação no estado desde 2016 e perdurou até 2025.

O Ministério Público apontou que o grupo investigado por lavagem de dinheiro no Piauí teria ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e atuava principalmente na movimentação e ocultação de recursos por meio de empresas e transações financeiras consideradas suspeitas. O caso é investigado em conjunto com a 6ª Promotoria de Justiça de Teresina.

As investigações identificaram ainda a existência de diferentes núcleos dentro do esquema, cada um com funções específicas relacionadas à movimentação financeira e à ocultação de valores. Um dos grupos teria origem no Piauí, com atuação operacional e ligação com postos de combustíveis, e, posteriormente passou a se conectar com um grupo de São Paulo investigado em outra operação.

Foto: Divulgação/SSP-PI

Segundo o Ministério Público, a ligação entre os grupos foi identificada a partir de transferências financeiras consideradas atípicas, realizadas principalmente por meio de bancos digitais. Essas movimentações foram rastreadas durante a investigação e passaram a fundamentar a denúncia por lavagem de capitais.

As apurações também apontam que consumidores vinham registrando reclamações e boletins de ocorrência questionando a qualidade e a quantidade de combustível vendido em postos investigados. As suspeitas foram reforçadas após fiscalizações realizadas por órgãos como o Instituto de Metrologia do Estado do Piauí, a Agência Nacional do Petróleo e o Procon do Ministério Público.

Ainda conforme a investigação, o grupo utilizava empresas e pessoas interpostas, conhecidas como “laranjas”, para esconder a origem de recursos obtidos de forma ilícita, o que pode configurar o crime de lavagem de dinheiro. O Ministério Público também identificou a participação de núcleos familiares que teriam papel estratégico na ocultação de valores e na movimentação financeira do esquema.

Durante o andamento do processo, o Ministério Público recorreu ao Tribunal de Justiça do Estado do Piauí e conseguiu decisão que mantém a interdição dos postos investigados, além do bloqueio de bens e valores dos denunciados, como forma de impedir a continuidade das atividades suspeitas.

Na ação penal, o Ministério Público pede a condenação dos investigados e o pagamento de indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 74,2 milhões. O caso ainda aguarda decisão da Justiça sobre o recebimento da denúncia.

*Com informações do MPPI

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