A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no Brasil um novo medicamento indicado no tratamento de pessoas com Alzheimer em fase inicial, especialmente com comprometimento cognitivo leve ou demência leve. O medicamento é capaz de desacelerar a destruição do cérebro causada pela doença e representa um passo importante no tratamento do Alzheimer. O Alzheimer é principal causa da demência degenerativa no mundo. Só no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, mais de um milhão de pessoas convivem com a doença
O que é o Leqembi?
Leqembi é o nome comercial de um medicamento cujo princípio ativo é o anticorpo lecanemabe, desenvolvido para interferir diretamente nos mecanismos biológicos associados ao Alzheimer. Ele pertence à classe dos medicamentos biológicos conhecidos como anticorpos monoclonais
Como ele funciona
O medicamento age sobre as placas de proteína beta-amiloide no cérebro, substância que se acumula entre os neurônios e é uma das características da doença de Alzheimer. Ao ajudar o corpo a reduzir esse acúmulo, o tratamento busca desacelerar o declínio cognitivo dos pacientes.
O lecanemabe é administrado por infusão intravenosa, normalmente a cada duas semanas, em sessões que duram cerca de uma hora.
Quem pode usar
A indicação é para adultos diagnosticados nas fases iniciais da doença, ou seja, ainda com maior potencial de benefício clínico. O registro prevê também a necessidade de testes genéticos para identificar a presença do gene ApoE ε4, que pode aumentar o risco de efeitos adversos relacionados à infusão em alguns pacientes.
Eficácia clínica
A aprovação foi baseada em estudos clínicos que envolveram cerca de 1.795 pessoas com Alzheimer em estágio inicial e presença de placas beta-amiloides no cérebro. Após 18 meses de tratamento, os resultados mostraram uma progressão mais lenta do declínio cognitivo em quem recebeu Leqembi em comparação com placebo.
A principal medida usada foi a escala CDR-SB, que avalia o comprometimento cognitivo e o impacto na vida diária. Nos pacientes que receberam o medicamento, o aumento dos escores foi menor do que no grupo controle.
mportância e limitações
A aprovação do Leqembi representa um marco no tratamento do Alzheimer no Brasil, pois é um dos primeiros medicamentos que tenta interferir diretamente na progressão da doença e não apenas aliviar sintomas.
No entanto, especialistas destacam que ainda é preciso cautela, já que o medicamento não é uma cura e os benefícios no longo prazo continuam sendo avaliados. Além disso, o custo e os riscos de efeitos colaterais — como inflamação ou pequenos sangramentos no cérebro — são pontos que demandam atenção na prática clínica
Quando estará disponível?
A Anvisa já autorizou a distribuição e uso do Leqembi no Brasil, mas a data em que ele chegará ao mercado depende da decisão da empresa detentora do registro, que definirá a logística de lançamento do produto.
Fonte: G1








