Alta no diesel afeta caminhoneiros e transportadoras podendo elevar preço dos fretes

O aumento no preço do óleo diesel tem provocado preocupação entre caminhoneiros e empresas de transporte em todo o país. A elevação do combustível já impacta diretamente os custos das viagens e pode resultar em reajustes no valor dos fretes nos próximos meses.

A caminhoneira Mari Toledo, que veio de Goiás, relata que sentiu imediatamente o impacto no bolso ao abastecer o veículo.

“Eu já paguei R$ 1.500 a mais em uma abastecida só. Está sendo péssimo, horrível. Já é um dinheiro a menos para a gente”, contou.

Segundo ela, a situação é ainda mais difícil porque o valor pago pelo frete não acompanhou o aumento do combustível.

Foto: Reprodução

“O caminhão faz dois quilômetros por litro nesse preço. Para quem vive do frete, sem aumento, fica sem condição”, afirmou.

A insatisfação também é compartilhada por outros profissionais da estrada. De acordo com a caminhoneira, motoristas que precisam fazer duas abastecidas durante a viagem chegam a gastar cerca de R$ 3 mil a mais em comparação com períodos anteriores.

O presidente dos Sindicatos dos Transportes de Carga e Logística do Piauí, Humberto Lopes.

Para representantes do setor de transporte, o cenário é considerado preocupante. O presidente dos Sindicatos dos Transportes de Carga e Logística do Piauí, Humberto Lopes, explica que o diesel representa cerca de 40% do custo operacional de um caminhão, o que torna qualquer reajuste no combustível um fator determinante para a atividade.

“A realidade tem sido muito séria. O aumento do óleo diesel tirou qualquer vantagem de medidas que tinham sido adotadas para amenizar os custos”, afirmou.

Segundo ele, além da alta nos preços, existe preocupação com possíveis problemas no abastecimento de combustível para distribuidoras.

“Existe o risco de racionamento. Isso deixa o setor muito apreensivo”, destacou.

Diante desse cenário, as transportadoras avaliam que será inevitável repassar parte dos custos para o valor do frete.

“Nós vamos ter que reajustar os fretes. Se continuar assim, muitas operações ficam inviáveis”, disse.

O setor também alerta para outro desafio: a falta de profissionais. De acordo com o presidente, atualmente há uma defasagem estimada de cerca de 62% de caminhoneiros no país, o que pode agravar ainda mais o cenário caso parte dos trabalhadores deixe de rodar por causa dos custos elevados.

Para o economista Fernando Galvão, fatores internacionais também ajudam a explicar a pressão sobre os preços dos combustíveis. Segundo ele, os conflitos no Oriente Médio aumentam a instabilidade no mercado global de petróleo.

“A guerra na região gera incerteza no transporte internacional de petróleo. Basta haver ataques ou ameaças para aumentar o custo do seguro, do frete e da segurança dos petroleiros”, explicou.

Ele destaca que cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo Estreito de Hormuz, região estratégica que pode ser afetada por tensões envolvendo o Irã.

Com isso, a alta no preço do barril acaba refletindo também no Brasil, especialmente porque o transporte de mercadorias no país depende majoritariamente das rodovias.

“Com o combustível mais caro, aumenta o custo do frete. Isso afeta diretamente os caminhoneiros e acaba chegando a toda a cadeia produtiva”, afirmou.

O economista também chama atenção para a dificuldade de o consumidor se proteger desses aumentos, já que o mercado de combustíveis é concentrado e os reajustes acabam sendo repassados rapidamente.

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