Justiça determina internação de adolescente por estupro coletivo em Copacabana

A Justiça do Rio de Janeiro determinou, nesta sexta-feira (17), a internação por seis meses — sem direito a atividades externas — do adolescente de 17 anos acusado de participar do estupro coletivo de uma jovem da mesma idade em janeiro, em um apartamento de Copacabana, na zona sul da capital. O período poderá ser prorrogado por até três anos.

A decisão, assinada pela juíza Vanessa Cavalieri, destacou que o jovem apresentou comportamento incompatível com os limites esperados e que houve falha da família em estabelecer controle adequado. O nome do menor permanece sob sigilo, e não há informações sobre quem o representa juridicamente.

Além do adolescente, quatro homens adultos seguem investigados e já foram presos: Vitor Hugo Simonin, Bruno Felipe dos Santos Alegretti, Matheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho.

Segundo o Tribunal de Justiça, o depoimento da vítima teve papel central no processo. A magistrada ressaltou que, em crimes sexuais — geralmente cometidos sem testemunhas —, a palavra da vítima possui especial relevância, sobretudo quando é coerente e confirmada por provas periciais. Exames de corpo de delito registraram lesões compatíveis com agressões físicas, como socos, tapas e chutes.

O advogado da adolescente, Rodrigo Mondego, afirmou nas redes sociais que continuará atuando para que todos os envolvidos sejam responsabilizados.

Linha do tempo do crime

Com base no relato da vítima e nas imagens de câmeras do prédio, foi possível reconstruir a sequência dos acontecimentos:

  • O ex-namorado da jovem a chamou pelo WhatsApp para encontrá-lo em Copacabana.
  • Às 19h24, os quatro suspeitos adultos chegaram ao apartamento.
  • Um minuto depois, a vítima e o adolescente entraram no prédio. No elevador, ele comentou que amigos estavam no local e sugeriu “fazer algo diferente”, o que ela recusou.
  • No quarto, os dois iniciaram relação consensual.
  • Em seguida, os outros rapazes entraram no cômodo e tiraram a roupa. O ex-namorado pediu que ela permitisse que eles permanecessem ali, e ela teria concordado.
  • A partir daí, segundo a vítima, os homens passaram a tocá-la e beijá-la à força.
  • Ela tentou sair, mas foi impedida e obrigada a manter relações sexuais com todos. Ao resistir, recebeu agressões físicas, incluindo um chute no abdômen dado pelo ex-namorado.
  • Às 20h25, o adolescente deixou o apartamento com a vítima e retornou sozinho.
  • Antes de sair, um dos suspeitos teria pedido que ela levasse uma amiga “na próxima vez”.
  • Às 20h42, os cinco deixaram o local.
  • A jovem contou o ocorrido à família e foi levada à delegacia cerca de uma hora depois.
  • Policiais foram ao apartamento, mas ele já estava vazio.
  • O exame de corpo de delito confirmou conjunção carnal recente, atos libidinosos e lesões nas regiões genital, glútea e dorsal, além de suspeita de fratura em uma costela.
  • Os quatro adultos foram indiciados por estupro coletivo qualificado e cárcere privado.
  • As defesas de Vitor Hugo e João Gabriel negam participação no crime, apesar de admitirem que ambos estavam no local.

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