Polícia indicia donos de academia em SP após morte de aluna por intoxicação em piscina

A Polícia Civil de São Paulo indiciou, nesta quarta-feira (11), três proprietários da academia C4 Gym após a morte de uma aluna e a intoxicação de outras pessoas que utilizaram a piscina do estabelecimento. O caso ocorreu no último sábado (7), no bairro Parque São Lucas, na zona leste da capital paulista.

Foram indiciados Cezar Augusto Miquelof Terração, César Bertolo Cruz e Celso Bertolo Cruz. A polícia solicitou a prisão temporária dos investigados, mas a defesa pediu o indeferimento do pedido, alegando que os três compareceram espontaneamente ao 42º Distrito Policial para prestar depoimento na data previamente marcada.

Os suspeitos foram indiciados por homicídio doloso, quando há intenção de matar. Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), ao menos sete vítimas foram identificadas no episódio de intoxicação. Entre elas está uma criança de 5 anos, que passou mal após participar de uma aula de natação. O estado de saúde do menor não foi divulgado.

Três pessoas permanecem internadas. A vítima fatal foi Juliana Faustino, de 28 anos. Além dela, seguem hospitalizados o marido, Vinícius de Oliveira, que está em estado crítico, e um adolescente de 14 anos. Outras duas vítimas, um homem e uma mulher, ambos de 37 anos, chegaram a ser internados, mas já receberam alta médica.

De acordo com o boletim de ocorrência, Juliana e Vinícius foram os primeiros a apresentar sintomas. Eles relataram ter percebido odor e gosto anormais na água da piscina e, pouco tempo depois, passaram mal. Com a piora do quadro, o casal buscou atendimento no Hospital Santa Helena, em Santo André.

No hospital, o estado de saúde de Juliana evoluiu rapidamente para uma parada cardiorrespiratória, e ela não resistiu. Vinícius foi transferido para a UTI do Hospital Brasil, onde segue internado.

Irregularidades e investigação

A Prefeitura de São Paulo iniciou, na última segunda-feira (9), um processo administrativo para cassação da licença de funcionamento da academia. Segundo o município, o alvará estava em nome do antigo proprietário e não correspondia ao atual CNPJ.

A Subprefeitura de Vila Prudente interditou preventivamente o local após identificar falhas de segurança e a ausência de licença válida. As investigações apontam ainda que o manobrista da academia, que não foi localizado até o momento, seria o responsável pela manutenção da piscina.

A principal suspeita da Polícia Civil é de que um balde com produtos químicos tenha permanecido parcialmente aberto, provocando uma reação que liberou gases tóxicos e causou a intoxicação dos frequentadores. Os produtos foram apreendidos e serão submetidos à perícia.

Até o momento, nenhum depoimento formal foi colhido, mas a polícia informou que essa etapa deve começar nos próximos dias. Imagens das câmeras de segurança da academia estão sendo analisadas para identificar outros funcionários e possíveis vítimas que não relataram sintomas.

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