O Banco Central (BC) revelou, em depoimento à Polícia Federal (PF), que o Banco Master contava com apenas R$ 4 milhões em caixa imediatamente antes de a autoridade monetária decretar a liquidação extrajudicial da instituição. A informação foi prestada pelo diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, em uma oitiva realizada em 30 de dezembro de 2025, cujo sigilo foi retirado por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o depoimento, a situação era considerada “anormal” para um banco de médio porte como o Master, que apresentava cerca de R$ 80 bilhões em ativos totais. Em condições típicas, explicou Aquino, uma instituição com esse volume de ativos teria liquidez na casa de bilhões em títulos livres — na faixa de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões — mas, no caso do Master, o caixa disponível era de apenas R$ 4 milhões antes da liquidação decretada em 18 de novembro de 2025.
Ailton Aquino também abordou dificuldades relacionadas à Will Bank, fintech ligada ao Master que estava sob regime de intervenção do BC denominado Regime de Administração Especial Temporária (Raet). O diretor afirmou que as contas e obrigações da Will enfrentavam “muita dificuldade” de pagamento, o que foi considerado um dos fatores que justificaram o acompanhamento especial da situação de liquidez do grupo antes da liquidação. Na determinação da liquidação extrajudicial do Banco Master, o Banco Central acusou a instituição de fraudar carteiras de crédito em mais de R$ 11 bilhões, o que tornou insustentável sua condição financeira. A liquidação buscou resguardar o Sistema Financeiro Nacional (SFN) de riscos maiores decorrentes da crise de liquidez da instituição.
O caso tem sido acompanhado de perto pelas autoridades, e a divulgação dos depoimentos integra o processo de investigação em curso. Além disso, a situação envolvendo o Master e a Will Bank trouxe à tona debates sobre supervisão bancária, liquidez e mecanismos de proteção do sistema financeiro no Brasil.








